Joaquim Cardoso Dias , Portugal
Carta dos Trabalhos do Olhar
do outro lado das palavras os ramos altos das figueiras a misturar o tempo com restos de casas abandonadas
levanto as mãos no meu sonho e uma ferida de água nas pontas dos dedos durará aqui como um beijo imaginado
lembrando correndo dormindo
falo da outra face dos rios de coisas velozes como a terra onde dói um sorriso onde a noite se dobra nítida ao fervor das sementes onde o corpo adivinha essa cor rasgada nos lençóis
depois olho-te em segredo respiro o que tu respiras escrevo essas palavras adormecidas no ar
olho-te longe da minha insónia contemplo o horizonte quebrado dos montes o trigo o feno as estevas rio-me
a sombra dos meus braços move-se junto aos gatos entre avencas e silenas fico imóvel atento
onde começará este esquecimento? como será o meu silêncio no teu rosto?
deita-te sobre mim vem escuta as árvores abrem-se ao meio nas ruas da vila nas pedras cansadas nas amoras junto ao sol dos muros
vem não tenhas medo sou teu e também isto são pormenores vem era uma vez dois magos numa floresta
Em Cinco Dias - Malcata 7 Geografias ed.Alma Azul envio amelia pais
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Por lobitogabriel - 28 de Septiembre, 2007, 9:29, Categoría: poesia
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